"Os bancos da Europa precisam se tornar bancos europeus", diz
o BIS, estimando que união bancária restauraria a confiança na moeda única. Em
relatório para sua assembleia anual, que reuniu até ontem bancos centrais de
boa parte do mundo, o BIS mostrou uma visão pessimista sobre a economia
mundial, e que afetará mesmo os emergentes mais sólidos.
Constata que cinco anos desde a eclosão da crise financeira, os
desequilíbrios não só perduram na economia mundial, como "as
vulnerabilidades se amplificam" e as perspectivas das finanças públicas
dão "vertigem". Alerta que um crescimento economico mundial melhor
repartido e mais sólido "está fora de alcance".
Economias desenvolvidas e emergentes se encontram espremidas "em
círculos viciosos, geradores de distorções", acumulando desafios para
ajuste estrutural, novas orientações monetária e fiscal e dificuldades de
reforma financeira.
Aponta três grupos que devem fazer ajustamentos: o setor financeiro deve
reconhecer suas perdas e se recapitalizar; os governos devem enquadrar as
finanças publicas "em trajetórias sustentáveis"; e as famílias e
empresas devem reduzir seu endividamento.
O problema é que sem a desalavancagem sincronizada, o que um faz agrava
o problemas dos outros dois. No cenário de crise, e sem os governos fazerem o
dever de casa, o BIS adverte que os bancos centrais estão excessivamente
expostos e confrontados a riscos, com programas de aquisição de títulos para
sustentar a liquidez bancária.
Os BCs são
praticamente obrigados a prolongar os estímulos monetários face a demora dos
governos, o que retarda o ajuste. Os balanços dos bancos centrais chegam a US$
18 trilhões, equivalente a 30% do PIB mundial, duas vezes mais que há dez anos.
Para o BIS, taxas de juros nominais próximas de zero conjugadas a um apoio de
liquidez maciço e quase incondicional "nao incitam muito o setor privado a
limpar seus balanços nem as autoridades fiscais a limitar seus
financiamentos".
Segundo o Eurostat (Escritório Comunitário de Estatísticas), o salário
mínimo, em algumas nações, passa dos mil euros (2.600 reais), enquanto em
outras é cinco vezes menos, ficando por volta dos 200 euros (520 reais). É mais
alto em Luxemburgo, onde a taxa de desemprego é de 5% e o salário mínimo bate o
recorde europeu de 1.800 euros (4.680 euros). Em seguida vêm Irlanda, Holanda,
Bélgica e França. Na Espanha é de 748 euros (1.900 reais), enquanto a Bulgária
amarga a última posição, com apenas 138 euros (360 reais). E há o risco de
redução do salário mínimo na Grécia (onde o valor é de 680 euros, ou 1768
reais) e também na Espanha. Na Alemanha não há salário mínimo nacional mas a
renda média dos trabalhadores é alta: foi de 42 mil euros ao ano em 2010, ou
109 mil reais na cotação de hoje, 25 de junho).
Na outra ponta, a chanceler alemã Ângela Merkel, defensora radical e intransigente da “austeridade fiscal” e dos cortes salariais, encabeça a lista dos dirigentes governamentais mais bem pagos na UE. Em maio, após um aumento salarial, ela passou a receber 17 mil euros mensais (44 mil reais). Na França, o presidente François Hollande, ao tomar posse, decretou um corte de 30% em seu salário e nos de seus ministros, agindo de forma oposta ao antecessor, Nicolas Sarkozy, que havia subido estes rendimentos em 170 por cento.
A Eurozona, formada pelos 17 países vinculados à moeda única, sofre o mais alto desemprego de sua história: 11% em abril, representando um aumento de 1,1% em relação ao mesmo mês em 2011. Isto significa que 17,4 milhões de pessoas estão sem trabalho; no conjunto da União Europeia, são 24,6 milhões, e a taxa está aumentando, arrastada pela situação na Espanha, onde o desemprego é o dobro da média europeia e atinge 24,3%.
Por outro lado, um estudo da auditora Ernst & Young mostra que a brecha econômica entre os países do norte e do sul do continente mantém a tendência de crescimento nos próximos anos. As 20 zonas de maior dificuldade localizam-se na Romênia, Polônia, Hungria e Bulgária. Entre as de melhor situação encontram-se regiões da Alemanha, Holanda, Dinamarca e Reino Unido.
Uma pesquisa feita pela Comissão Europeia (CE) mostrou também que 75% dos europeus considera que a pobreza aumentou, fazendo com que muitos tenham dificuldades para pagar as contas do dia a dia. Esta percepção se agrava em países como Grécia ou a Espanha, onde cerca de 85% da população observou um agravamento da miséria e 16% dos entrevistados diz que o dinheiro mal dá para chegar ao final do mês. A Grécia, por sua vez, é uma das nações onde mais cidadãos falam de um forte incremento da pobreza, seguida pela Romênia, Portugal e Espanha.
No entanto, os temores pela intensificação desse mal também se exacerbam em outros países onde as medidas de ajuste orçamental são menos visíveis. Tanto é assim, que em algumas das grandes potências da UE, como Alemanha ou França, a percepção do problema supera a média europeia e muitos opinam que o pior da crise ainda está por vir.
Na outra ponta, a chanceler alemã Ângela Merkel, defensora radical e intransigente da “austeridade fiscal” e dos cortes salariais, encabeça a lista dos dirigentes governamentais mais bem pagos na UE. Em maio, após um aumento salarial, ela passou a receber 17 mil euros mensais (44 mil reais). Na França, o presidente François Hollande, ao tomar posse, decretou um corte de 30% em seu salário e nos de seus ministros, agindo de forma oposta ao antecessor, Nicolas Sarkozy, que havia subido estes rendimentos em 170 por cento.
A Eurozona, formada pelos 17 países vinculados à moeda única, sofre o mais alto desemprego de sua história: 11% em abril, representando um aumento de 1,1% em relação ao mesmo mês em 2011. Isto significa que 17,4 milhões de pessoas estão sem trabalho; no conjunto da União Europeia, são 24,6 milhões, e a taxa está aumentando, arrastada pela situação na Espanha, onde o desemprego é o dobro da média europeia e atinge 24,3%.
Por outro lado, um estudo da auditora Ernst & Young mostra que a brecha econômica entre os países do norte e do sul do continente mantém a tendência de crescimento nos próximos anos. As 20 zonas de maior dificuldade localizam-se na Romênia, Polônia, Hungria e Bulgária. Entre as de melhor situação encontram-se regiões da Alemanha, Holanda, Dinamarca e Reino Unido.
Uma pesquisa feita pela Comissão Europeia (CE) mostrou também que 75% dos europeus considera que a pobreza aumentou, fazendo com que muitos tenham dificuldades para pagar as contas do dia a dia. Esta percepção se agrava em países como Grécia ou a Espanha, onde cerca de 85% da população observou um agravamento da miséria e 16% dos entrevistados diz que o dinheiro mal dá para chegar ao final do mês. A Grécia, por sua vez, é uma das nações onde mais cidadãos falam de um forte incremento da pobreza, seguida pela Romênia, Portugal e Espanha.
No entanto, os temores pela intensificação desse mal também se exacerbam em outros países onde as medidas de ajuste orçamental são menos visíveis. Tanto é assim, que em algumas das grandes potências da UE, como Alemanha ou França, a percepção do problema supera a média europeia e muitos opinam que o pior da crise ainda está por vir.

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